15 de março de 2018 Thiago Signorini Gonçalves1
Créditos: ESO

Desde a assinatura do acordo entre o então MCT e o ESO (European Southern Observatory), no final de 2010, a comunidade astronômica brasileira vinha usufruindo do direito de pedir tempo de telescópio em todos os instrumentos da organização e de acesso, como observadores, às reuniões dos diversos comitês do ESO. Numa demonstração da maturidade cientifica da comunidade, obtivemos taxas de aprovação dos pedidos semelhantes às dos países europeus, inclusive com projetos de longo prazo e grande número de noites, como igualmente tempo de telescópio no concorrido ALMA. Além disso, a adesão abriria um mercado potencial de centenas de milhões de dólares para as indústrias brasileiras, com as consequências óbvias para a geração de empregos e aquisição de alta tecnologia.

Num comunicado divulgado em 12/03/2018, o ESO estabelece que, tendo em vista a situação econômico-financeira por que passa o país, ficam temporariamente suspensas as participações brasileiras na instituição, que serão retomadas uma vez que o governo de nosso país se engaje efetivamente no caminho da adesão ao ESO. A participação de universidades brasileiras nos consórcios internacionais visando a construção de instrumentos de fronteira para a instituição ESO, como NIRPS, HIRES e MOSAIC prosseguirá normalmente, sem nenhum prejuízo ou interrupção.

O comunicado do ESO ressalta que o ESO COUNCIL votou por unanimidade seu apoio no sentido de que o Brasil faça parte do consórcio no devido tempo. Nesse contexto, a Sociedade Astronômica Brasileira está em contato contínuo com o MCTIC, na busca conjunta por uma forma realista para a efetivação e assinatura do acordo de adesão.

A Diretoria da SAB – Sociedade Astronômica Brasileira.


Algumas matérias veiculadas até o momento:

O Globo:

https://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/suspensao-do-brasil-de-consorcio-astronomico-reflete-falta-de-politica-para-ciencia-22486965

Site da Revista Galileu:

https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2018/03/por-falta-de-pagamento-brasil-e-expulso-do-observatorio-europeu-do-sul.html

Agência Brasil:

https://agenciabrasil.ebc.com.br/pesquisa-e-inovacao/noticia/2018-03/observatorio-de-astronomia-suspende-brasil-por-nao-cumprir

Science:

https://www.sciencemag.org/news/2018/03/ousted-eso-brazilian-astronomy-will-be-strangled-says-president-brazilian-astronomical

Physics World:

https://physicsworld.com/a/brazil-suspended-from-european-southern-observatory/



9 de novembro de 2017 Thiago Signorini Gonçalves1

É com muita tristeza que comunicamos o falecimento na noite de 07 de novembro deste ano do nosso colega e amigo, Paulo Benevides Soares, Professor Titular do IAG/USP. Ao longo de sua carreira desenvolveu trabalhos instrumentais, observacionais e teóricos relevantes na área de Astrometria e também, em outros domínios da Astronomia, em Geofísica e Ótica. Com sua competência, talento, criatividade e originalidade, ainda muito jovem foi um dos pilares do desenvolvimento da Astronomia brasileira. Muito além do campo profissional, com sua gentileza, ponderação e princípios éticos marcantes, deixa muitas saudades naqueles que tiveram o privilégio de sua convivência e um grande vazio no meio acadêmico.



11 de outubro de 2017 Thiago Signorini Gonçalves0

A astrofísica Elisabete M. de Gouveia dal Pino, professora da Universidade de São Paulo e membro da Sociedade Astronômica Brasileira, venceu no dia 04 de outubro o Prêmio Claudia 2017, na categoria de Ciências. A Dra. Gouveia dal Pino foi reconhecida por seus trabalhos que utilizam supercomputadores para investigar o comportamento de gases em estrelas e galáxias, e em particular o efeito de buracos negros sobre o ambiente ao seu redor.

Mais recentemente, a astrofísica foi a responsável por conseguir um investimento de quase 5 milhões de dólares da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) para o Cherenkov Telescope Array, um projeto internacional que construirá o maior observatório de raios gama do mundo, para investigar buracos negros e a matéria escura.

Nossos parabéns à Dra. Gouveia dal Pino!



12 de setembro de 2017 Thiago Signorini Gonçalves1

Os associados da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) aprovaram por unanimidade uma moção pela manutenção dos investimentos em Educação, Ciência e Tecnologia no Brasil. A moção foi lida durante a última Reunião Anual da Sociedade, realizada em São Paulo entre os dias 4 e 8 de setembro.

No texto, a SAB critica os cortes e contingenciamentos recentes no MCTIC, que ameaçam o futuro da pesquisa científica no país. O texto completo da moção pode ser visto abaixo.



26 de julho de 2017 Thiago Signorini Gonçalves0

O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) comunica a abertura de processo de seleção de um novo Diretor para o Observatório Nacional (ON).

Interessados em candidatar-se ao cargo devem enviados os documentos necessários até o dia 25 de agosto.

Para acessar o edital, clique aqui.

Edital de Retificação, clique aqui.


 

Edital

Retificação



5 de junho de 2017 Thiago Signorini Gonçalves0

Por Douglas Martins, Eduardo Pereira e Thiago Signorini Gonçalves

Telescópios espaciais Hubble e Chandra observam galáxia perdendo seu gás (visto em azul na imagem) devido à interação com o meio intra-aglomerado. Créditos: NASA, ESA, CXC.

A superpopulação pode ser fatal para uma galáxia rica em gás. Em pesquisa recente, astrônomos da Universidade de São Paulo mostraram que galáxias podem perder todo o gás ao atravessarem um aglomerado, “morrendo” no processo. A equipe utilizou supercomputadores para simular o efeito.

Os aglomerados de galáxias são as maiores estruturas conhecidas no Universo. Estes conjuntos cósmicos podem conter centenas ou até mesmo milhares de galáxias, como uma metrópole superpovoada. Além de galáxias, os aglomerados são compostos por matéria escura – maior responsável pela força que mantém as galáxias ligadas – e por um gás quente e difuso que permeia a estrutura conhecido como meio intra-aglomerado.

À medida que novas galáxias são capturadas pelo aglomerado, o meio intra-aglomerado provoca sobre elas um forte vento capaz de varrer o gás de seu interior, como o vento sentido por um ciclista em seu rosto ao viajar em alta velocidade. Desse modo, galáxias ricas em gás acabam tendo sua estrutura drasticamente modificada ao atravessar o aglomerado. Esse gás é o combustível necessário para formar novas estrelas, e quando acaba podemos dizer que a galáxia está “morta”, incapaz de gerar novos astros.

A dupla de astrônomos Rafael Ruggiero e Gastão Lima Neto do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas, da Universidade de São Paulo, se propôs a investigar as mudanças sofridas por galáxias ao cruzarem estes ambientes tão densos. Para isso, efetuaram uma série de simulações computacionais utilizando as equações que governam a interação entre as galáxias e o gás quente do meio intra-aglomerado.

As simulações mostraram que a perda de gás das galáxias que atravessam o aglomerado depende da densidade da região central do aglomerado. Para aglomerados com um núcleo denso e frio, o meio é tão espesso que é esperado que as galáxias percam todo o gás de uma só vez. Já para aglomerados sem um núcleo frio, com um meio intra- aglomerado mais tênue, o processo ocorre em etapas.

De acordo com Ruggiero, cientistas ainda não sabiam exatamente o que acontece com uma galáxia ao cruzar um aglomerado. “Ela ainda possui gás no final? Quanto deste gás será convertido em estrelas? Nosso trabalho fornece respostas bem claras a essas perguntas”, diz o pesquisador. Agora resta aos astrônomos observar galáxias em ambientes superpovoados no universo real e verificar se as previsões das simulações computacionais se confirmam.

O artigo científico com os resultados da pesquisa será publicado na edição de julho da revista inglesa Monthly Notices of the Royal Astronomic Society.

Link para o artigo:
https://academic.oup.com/mnras/article-lookup/doi/10.1093/mnras/stx744

Informações para contato:

Dr. Thiago Signorini Gonçalves, Coordenador de Imprensa da Sociedade Astronômica Brasileira
tsg@astro.ufrj.br
(21) 98768-0041



13 de abril de 2017 Thiago Signorini Gonçalves0

Nota de falecimento

A SAB lamenta o falecimento de Gary Steigman, 76 anos, no último dia 9 de abril em Columbus, OH. Gary deixa sua mulher e companheira de 37 anos, a professora Sueli Viegas; Cibele Aldrovandi, enteada; e Leonardo Aldrovandi, enteado, ambos brasileiros.
O Prof. Steigman era um acadêmico reconhecido internacionalmente. Ligado a diversos membros da Sociedade Astronômica Brasileira, era uma pessoa querida em nossa comunidade. Considerado um dos fundadores da física de astropartículas, suas contribuições ajudaram a estabelecer a assimetria matéria — antimatéria no universo, e ele foi um dos primeiros a combinar a cosmologia do universo primordial e as teorias unificadas da física de partículas elementares.
Lecionou em Yale, Cambridge, Stanford, Caltech e sobretudo na Universidade Estadual de Ohio (OSU), onde passou a maior parte de sua carreira como Distinguished Professor of Mathematical and Physical Sciences. O Prof. Steigman foi também professor visitante em Astrofísica em Cosmologia em diversas universidades na Europa e no Brasil, e professor emérito nos departamentos de Física e Astronomia da OSU.

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15 de março de 2017 ADM0

Com o falecimento de George Herbig (93 anos), astrônomo emérito da Universidade do Havaí, a área de formação estelar perde um dos seus mais importantes pesquisadores. Ele atuou no Lick Observatory (Universidade da California), durante a maior parte de sua carreira, contribuindo enormemente para a identificação e caracterização de objetos estelares jovens de baixa massa e de massa intermediária.

Dado o pionerismo de seus estudos, muitos dos objetos classificados por ele recebem hoje o nome “Herbig” em sua identificação. As estrelas pré-sequência principal de 2 a 8 massas solares tiveram suas características levantadas e sua natureza jovem foi apontada por Herbig (1962). Isso levou a tais estrelas serem hoje referenciadas como sendo do tipo “Herbig Ae/Be”, embora ele próprio, dada sua notória humildade, nunca tenha utilizado essa nomenclatura.

As descobertas relacionadas aos “Objetos Herbig-Haro”, condensações associadas a jatos em regiões de formação estelar, são também um exemplo das suas importantes contribuições para o estudo dessa área.

O “HBC” (Third Catalog of Emission-Line Stars of the Orion Population) de Herbig & Robbin-Bell (1988, Lick Observatory Bulletin No. 1111) foi a primeira e uma das mais importantes compilações de estrelas T Tauri, relacionando o total de 742 estrelas pré-sequência principal que eram conhecidas naquela época. Em particular para a comunidade astronômica brasileira dedicada ao estudo de estrelas jovens, o HBC foi motivacional e inspirador, como por exemplo no desenvolvimento do Catálogo do Pico dos Dias. Além da descoberta de novas estrelas T Tauri, complementando em cerca de 10% o HBC, esse trabalho brasileiro permitiu a identificação de uma centena de estrelas Herbig Ae/Be, as quais tem sido amplamente estudadas por diversos grupos brasileiros e em colaborações internacionais.

Assim, podemos considerar George Herbig como tendo um papel fundamental nos estudos das estrelas recém-formadas e dos primeiros estágios da evolução estelar, dos quais muitos de nós têm muito a agradecer e a reverenciar.

Mais detalhes sobre sua vida e carreira acadêmica podem ser vistos nos links:
https://www.ifa.hawaii.edu/users/herbig/default/herbig.html
https://www.ifa.hawaii.edu/info/press-releases/Herbig/

Jane Hetem (IAG-USP)


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18 de fevereiro de 2017 ADM0


Nota de falecimento – Prof. Pierre Kaufmann (1938-2017)
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Pierre Kaufmann, coordenador do Centro de Rádio Astronomia e Astrofísica Mackenzie (CRAAM) faleceu na madrugada de hoje 17/02/2017. Além de professor titular da Universidade Presbiteriana Mackenzie era também pesquisador em tempo parcial do Centro de Componentes Semicondutores, CCS, da UNICAMP. Membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC); Membro titular da Academia de Ciências do Estado de São Paulo; Membro do Comitê de nomeação do Prêmio da Inamori Foundation, Kyoto, Japão, e membro associado da Royal Astronomical Society (UK).

Sócio fundador da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), membro da SBF, SBPC, SBMO, da International Astronomical Union (IAU) e COSPAR. Representante brasileiro no Scientific Committee on Solar-Terrestrial Physics (SCOSTEP), no Scientific Committee on Antartic Research (SCAR) e na Comissão de Rádio Astronomia da Union Radio Scientifique International (URSI)Sócio fundador da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), membro da SBF, SBPC, SBMO, da International Astronomical Union (IAU) e COSPAR. Representante brasileiro no Scientific Committee on Solar-Terrestrial Physics (SCOSTEP), no Scientific Committee on Antartic Research (SCAR) e na Comissão de Rádio Astronomia da Union Radio Scientifique International (URSI)

Fundador do Grupo de Rádio Astronomia e Astrofísica Mackenzie (GRAAM) em 1960, hoje CRAAM, foi o responsável pela construção dos rádio observatórios do Ibirapuera (São Paulo), Umuarama (Campos do Jordão), Itapetinga (Atibaia), VLBI em Eusébio (Fortaleza), Telescópio Solar Submilimétrico (Argentina), POEMAS (Argentina), Laboratório Antártico de Pesquisas Ionosféricas e o Observatório Solar Mackenzie (São Paulo).

Sempre um espírito inovador, com fomento nacional e internacional, coordenava ainda vários projetos inéditos com fotômetros na faixa THz e infravermelho para observação solar no solo, na estratosfera e no espaço, além de um novo sistema de georreferenciamento.

Durante a sua carreira (1961-2017) publicou 204 artigos em periódicos indexados, é autor do livro “La Atmosfera Solar y su Investigación atraves de Ondas Radioeletricas”. Depositou 7 patentes, tendo obtido a concessão internacional da patente “Sistema e Processo de Posicionamento Geográfico e Navegação”. Além disso formou várias gerações de rádio astrônomos, tendo orientado 17 mestres e 7 doutores, e supervisionado 8 pós-doutores.

A rádio astronomia e a física solar brasileira perdem hoje seu maior expoente!