7 de agosto de 2019 Thiago Signorini Gonçalves0
A Diretoria da Sociedade Astronômica Brasileira vem a público para declarar seu apoio ao Diretor do INPE, Dr. Ricardo Galvão, bem como ao corpo técnico do INPE em face à recente polêmica envolvendo o governo federal e a divulgação de indicadores acerca do desmatamento na Amazônia produzidos pelos programas de monitoramento sistemático deste instituto.

O INPE é reconhecidamente a instituição brasileira mais capacitada ao tratamento de dados de sensoreamento remoto. Sua experiência nessa atividade acumula mais de 40 anos de pesquisa sistemática, o que por si só já merece atenção cuidadosa.

Preocupa-nos ainda o modo com o qual diversas estruturas do governo federal vem desprezando ou diminuindo as informações e dados colhidas pelos Institutos Federais de Pesquisa e Universidades Públicas, enxergando motivações ideológicas em todos aqueles recortes da realidade que não corroborem sua própria visão de mundo. Dados não comportam viés ideológico, especialmente séries históricas, calcadas em uma mesma metodologia, reconhecida por organismos internacionais e referendada por medições independentes, como é o caso das medidas de desmatamento realizadas pelo INPE com base nos satélites espaciais.

Governos anteriores já descuidaram da devida atenção ao Meio Ambiente. Todavia, o atual aumento na taxa de desflorestamento surge como consequência direta das políticas implementadas pela atual gestão, que vem concedendo permissão para mineração em áreas indígenas, flexibilizando demasiadamente a concessão de licenciamentos ambientais, sucateando órgãos de defesa ambiental e promovendo alterações no Código Florestal. O problema torna-se agudo neste até mesmo pela total falta de diálogo dos ministérios com a sociedade científica.

Os dados coletados pelos cientistas do INPE mostram uma realidade que não deve ser escondida, por impactar a vida de toda a sociedade, e não apenas no Brasil. A destruição do ecossistema amazônico levará ao colapso a estabilidade climática na América do Sul, aumentando drasticamente a estiagem no Sudeste brasileiro, onde se encontram boa parte dos reservatórios hídricos. Além da perda irreversível da diversidade biológica, corremos o risco concreto de condenar o futuro socio-econômico da região mais próspera do país.

Exortamos o Governo Federal e seus representantes a deixarem de lado suas preconcepções sobre a realidade e atentarem aos dados produzidos pelos acadêmicos e pesquisadores que se especializaram em suas respectivas áreas. A interpretação ideológica da realidade não pode fugir das evidências coletadas na natureza e na sociedade. O sucesso das políticas públicas depende da observação constante dos indicadores socio-econômico-ambientais produzidos pelos órgãos competentes, por pessoal qualificado.

E, finalmente, repudiamos profundamente que o resultado final dessa questão já se configura como uma intervenção no INPE, com a demissão nesta sexta-feira, dia 2 de Agosto, do Diretor Ricardo Galvão.

Diretoria da Sociedade Astronômica Brasileira



15 de março de 2018 Thiago Signorini Gonçalves1
Créditos: ESO

Desde a assinatura do acordo entre o então MCT e o ESO (European Southern Observatory), no final de 2010, a comunidade astronômica brasileira vinha usufruindo do direito de pedir tempo de telescópio em todos os instrumentos da organização e de acesso, como observadores, às reuniões dos diversos comitês do ESO. Numa demonstração da maturidade cientifica da comunidade, obtivemos taxas de aprovação dos pedidos semelhantes às dos países europeus, inclusive com projetos de longo prazo e grande número de noites, como igualmente tempo de telescópio no concorrido ALMA. Além disso, a adesão abriria um mercado potencial de centenas de milhões de dólares para as indústrias brasileiras, com as consequências óbvias para a geração de empregos e aquisição de alta tecnologia.

Num comunicado divulgado em 12/03/2018, o ESO estabelece que, tendo em vista a situação econômico-financeira por que passa o país, ficam temporariamente suspensas as participações brasileiras na instituição, que serão retomadas uma vez que o governo de nosso país se engaje efetivamente no caminho da adesão ao ESO. A participação de universidades brasileiras nos consórcios internacionais visando a construção de instrumentos de fronteira para a instituição ESO, como NIRPS, HIRES e MOSAIC prosseguirá normalmente, sem nenhum prejuízo ou interrupção.

O comunicado do ESO ressalta que o ESO COUNCIL votou por unanimidade seu apoio no sentido de que o Brasil faça parte do consórcio no devido tempo. Nesse contexto, a Sociedade Astronômica Brasileira está em contato contínuo com o MCTIC, na busca conjunta por uma forma realista para a efetivação e assinatura do acordo de adesão.

A Diretoria da SAB – Sociedade Astronômica Brasileira.


Algumas matérias veiculadas até o momento:

O Globo:

https://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/suspensao-do-brasil-de-consorcio-astronomico-reflete-falta-de-politica-para-ciencia-22486965

Site da Revista Galileu:

https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2018/03/por-falta-de-pagamento-brasil-e-expulso-do-observatorio-europeu-do-sul.html

Agência Brasil:

https://agenciabrasil.ebc.com.br/pesquisa-e-inovacao/noticia/2018-03/observatorio-de-astronomia-suspende-brasil-por-nao-cumprir

Science:

https://www.sciencemag.org/news/2018/03/ousted-eso-brazilian-astronomy-will-be-strangled-says-president-brazilian-astronomical

Physics World:

https://physicsworld.com/a/brazil-suspended-from-european-southern-observatory/



9 de novembro de 2017 Thiago Signorini Gonçalves1

É com muita tristeza que comunicamos o falecimento na noite de 07 de novembro deste ano do nosso colega e amigo, Paulo Benevides Soares, Professor Titular do IAG/USP. Ao longo de sua carreira desenvolveu trabalhos instrumentais, observacionais e teóricos relevantes na área de Astrometria e também, em outros domínios da Astronomia, em Geofísica e Ótica. Com sua competência, talento, criatividade e originalidade, ainda muito jovem foi um dos pilares do desenvolvimento da Astronomia brasileira. Muito além do campo profissional, com sua gentileza, ponderação e princípios éticos marcantes, deixa muitas saudades naqueles que tiveram o privilégio de sua convivência e um grande vazio no meio acadêmico.



11 de outubro de 2017 Thiago Signorini Gonçalves0

A astrofísica Elisabete M. de Gouveia dal Pino, professora da Universidade de São Paulo e membro da Sociedade Astronômica Brasileira, venceu no dia 04 de outubro o Prêmio Claudia 2017, na categoria de Ciências. A Dra. Gouveia dal Pino foi reconhecida por seus trabalhos que utilizam supercomputadores para investigar o comportamento de gases em estrelas e galáxias, e em particular o efeito de buracos negros sobre o ambiente ao seu redor.

Mais recentemente, a astrofísica foi a responsável por conseguir um investimento de quase 5 milhões de dólares da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) para o Cherenkov Telescope Array, um projeto internacional que construirá o maior observatório de raios gama do mundo, para investigar buracos negros e a matéria escura.

Nossos parabéns à Dra. Gouveia dal Pino!


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15 de março de 2017 ADM0

Com o falecimento de George Herbig (93 anos), astrônomo emérito da Universidade do Havaí, a área de formação estelar perde um dos seus mais importantes pesquisadores. Ele atuou no Lick Observatory (Universidade da California), durante a maior parte de sua carreira, contribuindo enormemente para a identificação e caracterização de objetos estelares jovens de baixa massa e de massa intermediária.

Dado o pionerismo de seus estudos, muitos dos objetos classificados por ele recebem hoje o nome “Herbig” em sua identificação. As estrelas pré-sequência principal de 2 a 8 massas solares tiveram suas características levantadas e sua natureza jovem foi apontada por Herbig (1962). Isso levou a tais estrelas serem hoje referenciadas como sendo do tipo “Herbig Ae/Be”, embora ele próprio, dada sua notória humildade, nunca tenha utilizado essa nomenclatura.

As descobertas relacionadas aos “Objetos Herbig-Haro”, condensações associadas a jatos em regiões de formação estelar, são também um exemplo das suas importantes contribuições para o estudo dessa área.

O “HBC” (Third Catalog of Emission-Line Stars of the Orion Population) de Herbig & Robbin-Bell (1988, Lick Observatory Bulletin No. 1111) foi a primeira e uma das mais importantes compilações de estrelas T Tauri, relacionando o total de 742 estrelas pré-sequência principal que eram conhecidas naquela época. Em particular para a comunidade astronômica brasileira dedicada ao estudo de estrelas jovens, o HBC foi motivacional e inspirador, como por exemplo no desenvolvimento do Catálogo do Pico dos Dias. Além da descoberta de novas estrelas T Tauri, complementando em cerca de 10% o HBC, esse trabalho brasileiro permitiu a identificação de uma centena de estrelas Herbig Ae/Be, as quais tem sido amplamente estudadas por diversos grupos brasileiros e em colaborações internacionais.

Assim, podemos considerar George Herbig como tendo um papel fundamental nos estudos das estrelas recém-formadas e dos primeiros estágios da evolução estelar, dos quais muitos de nós têm muito a agradecer e a reverenciar.

Mais detalhes sobre sua vida e carreira acadêmica podem ser vistos nos links:
https://www.ifa.hawaii.edu/users/herbig/default/herbig.html
https://www.ifa.hawaii.edu/info/press-releases/Herbig/

Jane Hetem (IAG-USP)


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18 de fevereiro de 2017 ADM0


Nota de falecimento – Prof. Pierre Kaufmann (1938-2017)
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Pierre Kaufmann, coordenador do Centro de Rádio Astronomia e Astrofísica Mackenzie (CRAAM) faleceu na madrugada de hoje 17/02/2017. Além de professor titular da Universidade Presbiteriana Mackenzie era também pesquisador em tempo parcial do Centro de Componentes Semicondutores, CCS, da UNICAMP. Membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC); Membro titular da Academia de Ciências do Estado de São Paulo; Membro do Comitê de nomeação do Prêmio da Inamori Foundation, Kyoto, Japão, e membro associado da Royal Astronomical Society (UK).

Sócio fundador da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), membro da SBF, SBPC, SBMO, da International Astronomical Union (IAU) e COSPAR. Representante brasileiro no Scientific Committee on Solar-Terrestrial Physics (SCOSTEP), no Scientific Committee on Antartic Research (SCAR) e na Comissão de Rádio Astronomia da Union Radio Scientifique International (URSI)Sócio fundador da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), membro da SBF, SBPC, SBMO, da International Astronomical Union (IAU) e COSPAR. Representante brasileiro no Scientific Committee on Solar-Terrestrial Physics (SCOSTEP), no Scientific Committee on Antartic Research (SCAR) e na Comissão de Rádio Astronomia da Union Radio Scientifique International (URSI)

Fundador do Grupo de Rádio Astronomia e Astrofísica Mackenzie (GRAAM) em 1960, hoje CRAAM, foi o responsável pela construção dos rádio observatórios do Ibirapuera (São Paulo), Umuarama (Campos do Jordão), Itapetinga (Atibaia), VLBI em Eusébio (Fortaleza), Telescópio Solar Submilimétrico (Argentina), POEMAS (Argentina), Laboratório Antártico de Pesquisas Ionosféricas e o Observatório Solar Mackenzie (São Paulo).

Sempre um espírito inovador, com fomento nacional e internacional, coordenava ainda vários projetos inéditos com fotômetros na faixa THz e infravermelho para observação solar no solo, na estratosfera e no espaço, além de um novo sistema de georreferenciamento.

Durante a sua carreira (1961-2017) publicou 204 artigos em periódicos indexados, é autor do livro “La Atmosfera Solar y su Investigación atraves de Ondas Radioeletricas”. Depositou 7 patentes, tendo obtido a concessão internacional da patente “Sistema e Processo de Posicionamento Geográfico e Navegação”. Além disso formou várias gerações de rádio astrônomos, tendo orientado 17 mestres e 7 doutores, e supervisionado 8 pós-doutores.

A rádio astronomia e a física solar brasileira perdem hoje seu maior expoente!



27 de julho de 2016 ADM0

Several research groups at the Astronomy Department of the Insitute of Astronomy, Geophysics and Atmospheric Sciences of the University of São Paulo (IAG/USP), Brazil, invite applications for several postdoctoral fellowships:

https://www.iag.usp.br/opportunities/index.php/astronomy/

  • Nuclear emission line properties of nearby galaxies: a survey of a complete sample [AT01]
  • Circum-nuclear extended emission in nearby galaxies [AT02]
  • Kinematic studies of interacting galaxies and Groups [AT03]
  • The Largest, Deepest and Homogeneous Multiband Photometric Catalogue for Stellar Open Clusters with the S-PLUS + J-PLUS Surveys [AT04]
  • GMT High-Resolution Follow-up of Bright Ultra Metal-Poor Stars Identified from SPLUS Multi-Band Photometry [AT05]
  • Cosmic Ray Acceleration and Propagation in the ISM and IGM: theory, numerical simulations and prospects for the Cherenkov Telescope Array (CTA) development [AT06]
  • Magnetohydrodynamics and High Energy Phenomena around BHs and compact objects: theory, numerical simulations and prospects for the Cherenkov Telescope Array (CTA) development [AT07]
  • Star Formation, Turbulence, and SNR-cloud connections: theory, numerical simulations and prospects for the Cherenkov Telescope Array (CTA) Science [AT08]
  • Star Formation versus AGN feedback in the Evolution of Galaxies: theory, numerical simulations and prospects for the Cherenkov Telescope Array (CTA) Science [AT09]
  • Radioastronomy [AT10]
  • Origin and evolution of the Milky Way Galaxy: Spectroscopy of cool stars of high, mid and low spectral resolution [AT11]
  • Viscous Decretion Disks of Be Stars: Theory and Observations [AT12]
  • Systems Engineering for the GMACS – GMT Project [AT13]
  • SOUTH POL – Revealing the Polarized Southern Sky [AT14]
  • Black Hole Accretion Theory [AT15]
  • Gamma-ray Astrophysics [AT16]
  • Classical and Recurrent Nova Shells – Modeling and Observations [AT17]

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29 de abril de 2016 ADM0

Um estudo detalhado dos gradientes de idade e metalicidade dos aglomerados no halo oeste da Pequena Nuvem de Magalhães (SMC) mostra a importância de separar as várias populações estelares e sugere que a SMC poderia estar em sua primeira passagem próxima da Via Láctea, contrariando o cenário orbital clássico.

O primeiro autor desse trabalho aceito para publicação na revista Astronomy & Astrophysics (https://arxiv.org/abs/1604.03086) é o Dr. Bruno Dias, atual pós-doutorando no European Southern Observatory (ESO). Os co-autores são; Leandro Kerber (UESC), Beatriz Barbuy (IAG/USP), Eduardo Bica (IF/UFRGS) e Sergio Ortolani (Università di Padova).

Essa pesquisa recebeu o foco da revista New Scientist que publicou recentemente um artigo destacando os resultados do grupo (https://goo.gl/IAbapu).


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21 de março de 2016 ADM0

A relação ente a Habitabilidade e o campo Magnético do Sol Jovem é tema de Artigo com muita repercussão de Astrônomos Brasileiros

Cerca de quarto bilhões de anos atrás a vida surgiu na Terra. A vida surgiu porque nosso planeta possuía uma superfície rochosa, água em estado líquido e uma atmosfera espessa. Mas a vida floresceu graças a um outro ingrediente necessário: a presença de um campo magnético protetor. Um novo estudo sobre uma estrela similar ao Sol jovem chamada Kappa Ceti demonstrou que o campo magnético desempenhou um papel fundamental no sentido de tornar a terra jovem propícia à vida.

“Para ser habitável, um planeta precisa de calor, água em estado liquido, e necessita ser protegido das ações de um Sol jovem e violento”, diz o principal autor do artigo o Dr. Jose-Dias Do Nascimento, pesquisador no Centro Smithsonian de Astrofísica da Universodade de Harvard (CfA), Boston, USA e professor da Universidade Federal Rio Gtande do Norte (UFRN), Brasil.

O resultado dos Astrônomos Brasileiros da UFRN, UFRJ, Harvard e outras universidades foram publicados no ApJ Letters esta semana e com ressonância e destaque nas principais paginas de Ciência dos principais jornais do Brasil e do Mundo.

Press Release da Harvard University: https://www.cfa.harvard.edu/news/2016-06

https://smithsonianscience.si.edu/2016/03/young-sun-like-star-shows-magnetic-field-critical-life-early-earth/

https://www.washingtonpost.com/news/speaking-of-science/wp/2016/03/17/how-this-stars-weather-could-help-us-find-alien-life/

https://revistapesquisa.fapesp.br/2016/03/16/campo-magnetico-primitivo-teria-permitido-vida-na-terra/