ronaldo-mourao-1200x522.jpg

26 de julho de 2014 ADM0

É com grande pesar que comunicamos o falecimento de Ronaldo Rogério de Freitas Mourão nesta sexta-feira, 25 de julho de 2014 aos 79 anos. Um dos mais importantes astrônomos brasileiros, dedicou-se incansavelmente à divulgação de Astronomia. Com centenas de artigos publicados para o público geral, inspirou gerações de jovens astrônomos. Idealizador e fundador do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), no Rio de Janeiro em 1984, sua área de atuação profissional era em estrelas duplas e objetos do Sistema Solar. Foi também um dos fundadores da Sociedade Astronômica Brasileira em 1974, tendo permanecido nosso associado por 40 anos até a última sexta-feira. Sem dúvida, uma enorme perda para a astronomia brasileira.

Adriana Valio

Diretoria da SAB

—————————————–

Transcrevemos abaixo a mensagem de Pierre Kaufmann em homenagem a Ronaldo Mourão.

O Brasil perde um dos seus maiores promotores de ciência, e da astronomia em especial. No início dos anos 60, Ronaldo, como
astrônomo, foi dos primeiros a obter resultados com repercussão internacional. Depois se destacou com talento e conhecimento em história da ciência e da astronomia, promovendo com maestria sua popularização e divulgação. Conseguia motivar as pessoas de forma única, atrativa, apaixonada, sem nunca transigir com o rigor que a ciência requer, cativando gerações de admiradores e interessados em todos os níveis de educação e de idade. Muitos se tornaram astrônomos profissionais. Eu perdi um amigo. A comunidade perdeu uma de suas mais extraordinárias personalidades, a quem se deve um enorme tributo de reconhecimento por todas suas contribuições em ciência e sua disseminação.

Pierre Kaufmann


Marcelle-premio.jpg

26 de julho de 2014 ADM0

A astrônoma brasileira Marcelle Soares-Santos recebeu o Prêmio Alvin Tollestrup 2014, concedido pela Associação de Universidades de Pesquisa dos Estados Unidos a trabalhos de destaque feitos por pós-doutorandos no Fermi National Accelerator Laboratory (Fermilab), laboratório norte-americano de física de partículas de altas energias. Doutora em astronomia pela Universidade de São Paulo, Marcelle está no Fermilab desde 2010 e foi reconhecida por suas contribuições ao estudo da energia escura. Sua pesquisa de pós-doutorado se concentra no projeto Dark Energy Survey (DES), cujo objetivo é observar 300 milhões de galáxias e usá-las para determinar a evolução da expansão do Universo. “Eu contribuí para a construção e instalação da câmera do DES, a DECam”, diz Marcelle, referindo-se à câmera, peça-chave do projeto, em funcionamento desde 2012 no telescópio Blanco, localizado no Cerro Tololo Inter-American Observatory, no Chile. Sua pesquisa também busca contribuir para esclarecer a questão da energia escura, forma hipotética de energia que estaria distribuída por todo o espaço. “Desenvolvi um método para detectar aglomerados de galáxias e uso esse método para estudo da energia escura”, explica. “Marcelle trabalha com dados para desenvolver novas maneiras de entender a formação do universo”, disse Brenna Flaugher, chefe do departamento de astrofísica do Fermilab.

Pesquisa FAPESP – Edição 221, Julho 2014


DES-1.png

10 de julho de 2014 ADM0

Usando o telescópio espacial Kepler, da NASA, uma equipe internacional de cientistas liderada  pelo astrônomo brasileiro José-Dias do Nascimento Jr. anuncia nesta quinta-feira uma nova amostra de estrelas gêmeas solares com idades determinadas. do Nascimento é cientista do Harvard–Smithsonian Center for Astrophysics, e professor no  Departamento de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. (DFTE, UFRN, Brasil).

Uma estrela Gêmea solar deve ser… Definir o que determina se uma estrela é do “Tipo Solar” é tão difícil quanto definir o que faz com que um planeta seja “semelhante à Terra”. Uma estrela Gêmea solar deve ter uma temperatura, massa e tipo espectral semelhante ao nosso Sol. Desejaríamos  também que ela tivesse uma idade de cerca de 4,5 bilhões de anos. No entanto, é notoriamente difícil de medir a idade de uma estrela e os astrônomos costumam ignorar a idade no momento de decidir se uma estrela pode ser considerada ou não como uma estrela do “Tipo Solar”.

Uma nova técnica para medir a idade de uma estrela usando seu Spin – girocronologia – está entrando neste campo. Hoje estes astrônomos estão apresentando as idades girocronologicas para 22 estrelas semelhantes ao Sol. Anteriormente, apenas duas estrelas semelhantes ao Sol tinha medidas de seus Spins e idades.

“Nós descobrimos estrelas com propriedades que são próximas o suficiente das propriedades do Sol e para as quais nós  podemos chamá-las de “Gêmeas Solares”, diz o autor José-Dias do Nascimento, do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics (CfA).

“Com estas Gêmeos solares, nós podemos estudar o passado, o presente e o futuro das estrelas como o nosso Sol. Consequentemente, podemos prever como os sistemas planetários como o nosso sistema solar será afetado pela evolução de suas estrelas centrais “.

Para medir a rotação de uma estrela, os astrônomos observam as mudanças em seu brilho causadas por manchas escuras conhecidas como manchas estelares,  que cruzam a superfície da estrela. Ao observar quanto tempo leva uma mancha para girar em torno da estrela, com referência a linha de observação, medimos o quão rápido uma  estrela está girando.

A variação da luminosidade de uma estrela, devido as manchas estelares é muito pequena, tipicamente de uma parte em mil. O Satélite Kepler da NASA é um excelente instrumento para realizar  tais medições muito exigentes  do brilho. Usando o satélite Kepler da NASA, do Nascimento e seus colegas descobriram que as estrelas semelhantes ao Sol tem sua rotação em média,  da ordem de uma volta a cada 21 dias, em comparação com o período de rotação de 25 dias do nosso Sol, quando medido no seu equador.

Muito parecido com os seres humanos, estrelas mais jovens girar mais rápido do que as estrelas  mais velhas, ou seja as estrelas acalma-se à medida que envelhecem. Como resultado, a rotação de uma estrela pode ser usado como um ótimo relógio e assim revelar  a idade.  Como a maioria das estrelas que a equipe detectou, tem rotação ligeiramente mais rápida que o nosso Sol, eles concluem que estas devem ser ligeiramente mais  jovens também.

Este trabalho expande pesquisas anteriores feitas no CfA pelo astrônomo (e co-autor do novo estudo) Søren Meibom. Meibom e seus colaboradores mediram as taxas de rotação de estrelas em um aglomerado de idade 1 bilhão de anos, chamada NGC 6811. Como estas estrelas tinham uma idade conhecida, os astrônomos puderam usá-las como calibrador do relógio girocronológico. A nova pesquisa liderada pelo Dr. do Nascimento examina estes dados em estrelas que estão flutuando no campo da Galáxia, e que  não são membros de nenhum cluster particular.

Visto que as estrelas e os planetas se formam em conjunto e ao mesmo tempo, sabemos que descobrindo  a idade de uma estrela revelamos a idade de seus planetas. E uma vez que é preciso tempo para que a vida se desenvolva e evolua, sabendo as idades de estrelas centrais de exoplanetas poderemos ajudar a focar nos melhores alvos na pesquisar que revelará  sinais de vida alienígena. Apesar de nenhuma das 22 estrelas no novo estudo revelarem planetas detectáveis, este trabalho representa um importante passo na busca por estrelas semelhantes ao Sol que poderiam hospedar planetas semelhantes à Terra.

Os resultados serão publicação no Astrophysical Journal Letters (astro-ph), com destaque nas páginas Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics (CfA) e no Laboratoire AIM, CEA, Univ. Paris Diderot, Saclay, France-Saclay, França.

Para mais informações, contato:

José-Dias do Nascimento Jr (autor)

+1 (617) 314-3328

donascimento@cfa.harvard.edu



29 de junho de 2014 ADM0

Excelentíssimo Ministro da República
Clelio Campolina Diniz
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
70067-900 – Brasília – DF

São Paulo, 28 de julho de 2014

Excelentíssimo Senhor Ministro,

Recentemente fomos surpreendidos por uma notícia anunciada na mídia internacional e nacional (https://blogs.nature.com/news/2014/07/sao-paulo-state-joins-megatelescope.html) de forte repercussão para a comunidade astronômica brasileira sobre possíveis negociações do MCTI para dividir os custos de U$ 40 mi do Giant Magellan Telescope (GMT), projeto aprovado pela FAPESP. A Diretoria da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) foi questionada sobre estas negociações e, desconhecendo o assunto, contatou pesquisadores e lideranças das principais Unidades de Pesquisa do MCTI (LNA, ON, INPE), mas infelizmente estes também desconheciam o teor do acordo e a situação do mesmo.

Embora não restem dúvidas quanto aos benefícios que a adesão a este telescópio trará aos pesquisadores do Estado de São Paulo, alertamos que este assunto não foi discutido em nível nacional e suas implicações aferidas pelos astrônomos brasileiros dentro de um Plano Nacional de Astronomia. Durante a XXXVIII Reunião Anual da SAB, promoveremos uma Mesa Redonda sobre os Grandes Telescópios, a realizar-se às 19 h em 1o de setembro de 2014 no Hotel Atlântico, em Armação de Búzios, RJ. Gostaríamos de convidar V.Ex.a para participar desta mesa redonda. Antecipamos que um total de 300 astrônomos profissionais participarão desta reunião.

Como é do conhecimento de V.Ex.a, o acordo de adesão do Brasil à Organização Europeia de Pesquisa Astronômica no Hemisfério Austral (ESO, European Southern Observatory), foi um projeto amplamente discutido em nível nacional e apoiado por mais de 80% da comunidade astronômica brasileira. Entretanto este projeto, com pleno apoio do MCTI desde 2010,  se encontra no congresso desde fevereiro de 2013 aguardando ratificação.

No intuito de impulsionar este processo, em 4 de junho, houve uma reunião de representantes da SAB com a Secretária Executiva do MPOG, Eva Maria Dal Chiavon, Dep. Jorge Bittar (PT-RJ) e Hudson Mendonça (MCTI). Nesta reunião decidiu-se que o MCTI prepararia uma contra proposta para uma renegociação do valor do acordo ESO, considerado alto pelo MPOG. Porém até o presente momento, ainda não tivemos notícias sobre o andamento das negociações, sobre as quais aproveito para indagar a respeito.

Coloco-me novamente à disposição e muito nos honraria a possibilidade de aprofundar essa série de argumentos com V.Exa., em ocasião de sua conveniência.

Certa de poder contar com a sua colaboração, agradeço a atenção e subscrevo-me cordialmente,

Adriana Válio

Presidente

Sociedade Astronômica Brasileira


fig3.png

16 de abril de 2014 ADM0

Astrônomos brasileiros lideram pesquisa que levou à descoberta de anéis ao redor de pequeno objeto do Sistema Solar

Por Felipe Braga Ribas.

No começo de abril publicamos (Braga-Ribas et al. 2014, Nature, 508, 72) uma descoberta que surpreendeu a todos. Descobrimos que pequenos corpos do Sistema Solar podem ter anéis, propriedade antes vista somente ao redor dos planetas gigantes do nosso sistema. Através da observação de uma ocultação estelar, detectamos e caracterizamos um sistema de dois anéis no entorno do objeto Centauro (10199) Chariklo. Mas, se a descoberta foi surpreendente, por que estávamos observando este objeto, o que esperávamos?

As observações que realizávamos estavam inseridas num contexto mais amplo do que a busca por propriedades exóticas. O “grupo do Rio”(*), como somos chamados por colaboradores internacionais, é responsável pela predição de ocultações estelares por objetos Transnetunianos e Centauros, e vem atuando igualmente na observação, redução e análise de tais ocultações. Estas ocultações são como eclipses, quando, para um dado observador, um objeto passa na frente de uma estrela projetando uma “sombra” do corpo sobre a Terra.

Os objetos Transnetunianos (TNOs) são tidos como verdadeiros fósseis no Sistema Solar. Os Centauros são antigos TNOs que foram trazidos para órbitas instáveis entre Júpiter e Netuno. Uma vez que estão em órbitas afastadas do Sol, pouco devem ter sofrido com as intempéries interplanetárias. Além disso, sua distribuição orbital, de tamanho e de massa podem estar intimamente ligadas à migração planetária na época da formação do Sistema Solar. Por isto, determinar suas propriedades físicas, como tamanho, densidade, albedo e composição é chave para remontar o cenário no qual o Sistema Solar se originou.

Para isto, usamos a poderosa técnica de ocultações estelares, que permite determinar tamanho e forma destes longínquos objetos com precisões na ordem do quilômetro, a partir do solo, além é claro de explorar seu entorno na busca por satélites, tênues atmosferas e (a partir de agora) anéis. Enquanto isto, medidas feitas por telescópios espaciais como Herschel e Spitzer, permitem determinar seus tamanhos equivalentes com erros na ordem de 50 km, nos melhores casos.

No entanto, é claro que há dificuldades. Entre elas, prever e observar as ocultações. Os primeiros TNOs (desconsiderando Plutão) foram descobertos em 1992 e a maioria,  dos quase 1300 conhecidos hoje, foi descoberta no início dos anos 2000. Isto significa que suas órbitas não são bem determinadas, já que, desde lá, não percorreram nem 10% de suas órbitas completas. Além disso, a posição da estrela a ser ocultada, dada por catálogos estelares, também não nos satisfaz. Colocando em números, um objeto a 30 UA com 500 km de diâmetro tem um tamanho aparente menor que 0,025 segundos de arco (isto equivale à uma moeda de 1 real a 200 km do observador).  Então é preciso conhecer a posição da estrela e do TNO com precisão superior a 0,025″, se não quisermos errar por mais de 500 km a posição da sombra projetada do TNO sobre a Terra.

Foi aí que entrou o grupo do Rio, desde 2007, com observações quase anuais feitas no telescópio do ESO de 2.2 m em La Silla. Fizemos um catálogo de estrelas que estarão no caminho de 50 TNOs e Centauros até 2015. Além disso, temos observado regularmente os objetos para obter suas posições e calcular suas efemérides com melhor precisão do que as disponíveis publicamente. (Assafin et al. 2010, A&A, 515, A32; Assafin et al. 2012, A&A, 541, A142 e Camargo et al. 2014, A&A, 561, A37)

Foi somente em 2009 que a primeira ocultação por um TNO foi detectada. O objeto foi o  pequeno 2002 TX300, e foi realizada pelo grupo do MIT (Elliot et al. 2011, Nature, 465, 879). No inicio de 2010 nosso grupo detectou sua primeira ocultação, em São Luis do Maranhão, quando Varuna, um alongado objeto com quase 1000 km de diâmetro, passou em frente a uma estrela brilhante (V = 11.2). Ainda em 2010, mostramos que Éris rivaliza em tamanho com Plutão (Sicardy et al. 2011, Naure, 478, 493). A cada ano que passou mais ocultações foram detectadas, o que nos permitiu aprimorar nossa metodologia e ampliar nossa rede de observadores colaboradores. Isto também colocou a colaboração entre o Observatório de Paris (Meudon/FR), o Instituto de Astrofísica de Andalucia (Granada/ES) e o Observatório Nacional (Rio de Janeiro/BR), como líderes mundiais na previsão, observação e análise destes eventos. Desde 2009, das 23 ocultações observadas envolvendo TNOs e Centauros (não considerando ocultações promovidas por Plutão), nosso grupo e colaboradores previu e observou 19 delas, sendo 8 delas em 2013 (Ortiz et al. 2012, Nature, 491, 225; Braga-Ribas et al. 2013, ApJ, 773, 26).

Então, em 3 de junho de 2013 realizamos mais uma observação para determinar as propriedades físicas de um dos nossos objetos alvo, no caso, Chariklo, o maior Centauro com cerca de 250 km de diâmetro. Por se tratar de uma ocultação envolvendo uma estrela brilhante (V=12), uma grande campanha observacional foi organizada (devel2.linea.gov.br/~braga.ribas/campaigns/), para a qual alertamos toda nossa rede de colaboradores.

Logo após às observações, quando as primeiras curvas de luz foram obtidas, notamos que havia algo de diferente em Chariklo. Foi a curva de luz oriunda do telescópio Dinamarques de 1.54 m em La Silla no ESO que deixou claro que havíamos detectado um sistema de anéis ao redor de Chariklo. Graças à cadência de 10 imagens por segundo, pudemos determinar que dois anéis, de 7 e 4 km de espessura com profundidade ótica 0,4 e 0,06, orbitam Chariklo a 391 e 405 km, respectivamente, e são separados por uma divisão de 9 km. Por serem dois anéis bastante densos e confinados e pela existência da divisão, acreditamos que há ao menos uma lua agindo como pastora, um processo já observado nos anéis de Saturno e Urano. Calculamos que um satélite de alguns poucos quilômetros já seria capaz de explicar a configuração observada.

Sabia-se que Chariklo apresentava um comportamento anômalo, já que sua magnitude absoluta tinha diminuído entre 1997 e 2008. No mesmo período, a banda de gelo de água outrora observada não fora mais detectada em 2008. Ao descobrir os anéis e verificar sua orientação, notamos que uma das soluções possíveis, mostrava que em 2008 os anéis teriam sido “vistos” pelo bordo. Como são muito finos pouco contribuíam ao fluxo total do sistema. Com isto, inferimos que os anéis são parcialmente compostos por gelo de água, e calculamos que atualmente contribuem com 50% do fluxo total observado para o sistema, mesmo tendo uma área superficial equivalente à 15% da área superficial de Chariklo, isto é, são muito brilhantes.

Muitas questões surgiram, como sua origem, estabilidade e idade. O mecanismo de satélites pastores é universal? São únicos nesta classe de objetos? Provavelmente não. Mas o que os faz especiais para terem esta propriedade nunca antes vista nos, vastamente estudados, asteroides do Cinturão Princial? Há muito o que se estudar para chegar à estas respostas.

Enquanto isto continuaremos à observar as ocultações promovidas por estes objetos. Chariklo mesmo ocultará uma outra estrela no final de abril. O objetivo: aprimorar nosso conhecimento sobre suas propriedades físicas, e assim contribuirmos para a compreensão dos processos pelos quais os Sistema Solar passou durante sua formação. Nos próximos anos, uma vez que o catálogo astrométrico feito pelo telescópio espacial GAIA esteja disponível, a expectativa é que as predições de ocultações tenham qualidade ainda melhor, o que permitirá a caracterização de muitos objetos e o estudo fino de corpos cientificamente interessantes, como Chariklo.

Vale salientar que a descoberta é assinada por 64 autores, envolvendo 34 instituições de 12 países diferentes. Destes, 13 são brasileiros de 7 instituições diferentes.

* O “grupo do Rio”  é composto pelos pesquisadores Roberto Vieira Martins (ON),  Marcelo Assafin (OV), Julio Camargo (ON), Felipe Braga Ribas (ON) e Josselin Desmars (ON) e pelos estudantes Alex Dias de Oliveira (ON), Gustavo Benedetti-Rossi (ON) e Altair Gomes Ramos Jr (OV).

Nota de imprensa no site do ESO: https://www.eso.org/public/brazil/news/eso1410/

Video explicando a observação:  https://apod.nasa.gov/apod/ap140409.html


bicep2.jpg

22 de março de 2014 ADM0

Pesquisadores do BICEP2 (Background Imaging of Cosmic Extragalactic Polarization 2, ver https://www.cfa.harvard.edu/CMB/bicep2, anunciaram recentemente a detecção das ondas gravitacionais primordiais, geradas durante a chamada fase inflacionária cosmológica, que teria ocorrido nos primeiros momentos do Universo.

O BICEP2 foi especialmente concebido para medir o chamado modo B da polarização da radiação cósmica de fundo. Este modo de polarização é produzido por ondas gravitacionais, em particular as de origem cosmológica. Vale a pena ver o vídeo onde são apresentados os resultados da equipe do BICEP2:

https://www.cfa.harvard.edu/pao/Bicep2_news_con.mp4

Trata-se de uma descoberta tão importante que precisamos ter cautela. Entre outras coisas, temos que esperar os resultados de outras equipes, tal como a do satélite Planck, que realizam estudos similares.

Se esta descoberta for confirmada, o grupo do Bicep2 terá iniciado a astronomia de ondas gravitacionais em grande estilo, já realizando previsões importantíssimas sobre os primeiros instantes da existência do Universo ou de, pelo menos, uma fase em que ele teria um tamanho que ainda acomodasse uma fase inflacionária. Nesta fase, o Universo teria sofrido uma expansão rapidíssima, provavelmente exponencial. Isto restringirá muito os modelos cosmológicos válidos. Tudo isto às vésperas da teoria da relatividade geral completar 100 anos.

Além disso, será aberto um caminho para um melhor esclarecimento da relação entre a gravidade e a mecânica quântica, para a construção de uma teoria de gravitação quântica, pois estamos falando de uma manifestação gravitacional colossal num momento em que os efeitos quânticos teriam sido dominantes. Muito se aprenderá nesta área e na cosmologia com o refinamento das medidas que futuros aparelhos (e.g., Keck Array, BICEP3 etc) farão do modo B de baixos multipolos da radiação cósmica de fundo.

Se confirmada, consideramos esta detecção uma detecção direta das ondas gravitacionais. A única diferença em relação a que poderia ser realizada em laboratório é que o “material detector” está bem longe (a cerca de 13,8 bilhões de anos luz de distância).

Vale mencionar, que a prova da existência das ondas gravitacionais dada pelo sistema de estrelas de nêutrons duplas (PSR 1913+16, entre outros), no qual uma delas é um pulsar, é considerada uma prova indireta NÃo porque só detectamos o sinal eletromagnético do pulsar. É indireta porque não é um efeito causado na detecção e sim um efeito devido à emissão das ondas.

Nos interferômetros do tipo LIGO o que vamos detectar é uma interferência da luz que percorre o caminho entre os espelhos. No caso do Schenberg, seria o sinal de microondas modulado pelo movimento da superfície da esfera. Nem por isso elas seriam consideradas detecções indiretas. No fundo, ainda não foi inventado um aparelho que possa detectar essas ondas diretamente, no sentido exato da palavra, todos a detectariam ao transformar a energia dessas ondas em alguma outra forma de energia (mecânica ou elétrica). A questão de direta ou indireta reside na questão de se foi detecção ou emissão.

Para as outras técnicas de detecção de ondas gravitacionais, como a interferometria laser, as massas ressonantes (barras e esferas como o Schenberg) e os “pulsar timing arrays”, a notícia dessa descoberta é muito boa, pois reafirmaria de forma conclusiva a existência dessas ondas.

Odylio Aguiar e José Carlos de Araújo (INPE)


plato.png

25 de fevereiro de 2014 ADM0

O Brasil novamente no espaço!

Nos dias 19, 20 de fevereiro de 2014, o Comitê de Programas Científicos (SPC) da ESA escolheu PLATO (PLanetary Transits and Oscillations of Stars) como a nova missão “M” ou “de porte médio”. Ela concorria com outros quatro projetos:

https://www.esa.int/Our_Activities/Space_Science/ESA_selects_planet-hunting_PLATO_mission

O satélite será lançado em 2024 e, além de países europeus e dos EUA, o Brasil participa do projeto com ciência e atividades de software e hardware. PLATO, é um acrônimo para PLanetary Transits and Oscillations of Stars.

Com uma matriz de 34 espelhos de 12 cm cada, num total 4 m de área coletora, o satélite será capaz de medir com precisão inédita os parâmetros físicos de cerca de 1 milhão de estrelas brilhantes, permitindo melhorar por um fator importante a precisão na determinação de seus parâmetros fisicos e, consequentemente, de seus
planetas. Serão separados sem ambiguidade mini-Netunos e planetas rochosos. A missão se concentrará na descoberta e caracterização precisa de planetas telúricos que orbitem suas estrelas na zona ‘habitável’, região que pode propiciar a existência de vida. Esses planetas serão alvos preferenciais para estudos sobre suas atmosferas com futuros telescópios gigantes como ELT (ESO) e James Webb (NASA). Ela fará também um mapeamento bem mais completo dos vários tipos de sistemas planetários existentes na Galáxia. PLATO é uma forte colaboração sobretudo europeia – muitas instituições e centenas de investigadores estão trabalhando em conjunto com cientistas de todo o mundo -incluindo o Brasil- que completam a equipe:

https://www.oact.inaf.it/plato/PPLC/People.html

Vários cientistas e engenheiros brasileiros de algumas das principais universidades e centros de pesquisas em astronomia do país (p. ex., UFRN, UFMG, UFRJ, Observatório Nacional, Univ. Mackenzie, Mauá, USP, UEPG, etc…) já estão engajados do lado brasileiro na missão espacial PLATO. Temos interesses em temas de engenharia, como sistemas eletrônicos (hardware) a serem utilizados no desenvolvimento dos software de voo e de controle de atitude, processamento embarcado de sinais e correções de “jitter” nas curvas de luz. Em astrofísica, assuntos dos mais variados serão abordados pelos brasileiros: análise sismológica de estrelas, estrelas variáveis, anãs brancas, rotação estelar, evolução comparada do Sol, galáxias próximas e exoplanetas (descobertas, determinações orbitais e marés).

Já atuam na missão PLATO pelo Brasil, Eduardo Janot-Pacheco (Univ. São Paulo), José Dias do Nascimento (UFRN), Jorge Melendez (Univ. São Paulo), Vanderley Parro (Mauna Inst. of Technology) e Adriana Silva Valio (Univ. Mackenzie). Com a aprovação do projeto e a constituição em breve de um Comitê PLATO Brasil, que coordenará a participação brasileira na missão, outros colegas se juntarão a ela.

Interessados, contatar: Eduardo Janot Pacheco (eduardo.janot@iag.usp.br)
Responsável provisório pelo Comitê PLATO Brasil


cen2013.png

7 de dezembro de 2013 ADM0

As noites do hemisfério Sul estão sendo iluninadas por uma estrela nova da constelação do Centauro. Quando foi descoberta pelo astrônomo australiano John Seach em 2 de dezembro, a nova tinha uma magnitude de 5,5 e está aumentando. Suas coordenadas (J2000.0) são RA =13h 54m 45.34s, Dec =-59° 09′ 04.2”, o que permite, a maior parte dos gaúchos, observá-la a noite inteira, enquanto que na região Sudeste do Brasil, ela nasce a partir da meia noite aproximadamente e em Belém (PA) por volta das 2 da manhã.

A figura ao lado mostra um esquema do céu na cidade de São Paulo para o dia 7 de dezembro as 4:00 da manhã, quando a elevação da nova é de 20°. Para achá-la basta seguir a linha imaginária que forma o braço menor do Cruzeiro, em direção da brilhante estrela Hadar, ou β Cen (para o Suleste). A pequena cruz vermelha da figura indica a posição da nova.

Abaixo, uma foto tomada por Rogério Marcon de Campinas em 5 de dezembro mostra a mesma região do céu. No destaque da foto, Rigel (α Cen) , Hadar (β Cen) e uma flecha que indica a posição de Nova Cen 2013.

 

No seguinte link, uma imagem animada mostra o campo visual antes e depois da aparição da nova: https://i176.photobucket.com/albums/w189/walcom77/pnv_cen_animation_T31_3_december_2013_zps83b608d2.gif~original

Nova Centauri 2013 ou PNV J13544700-5909080, como foi batizada, parece se tratar de uma nova clássica, produto de uma anã branca acretando matéria de sua companheira. Aínda não se tem dados da distância ao objeto mas algumas pessoas já estão arriscando que será uma das maiores novas de todos os tempos. Na Figura abaixo, um espectro em torno da linha de Hα obtido por Rogério Marcon.

Mais informações na American Association on Variable Stars Observers (https://www.aavso.org/aavso-alert-notice-492).

Carlos Guillermo Giménez de Castro
(CRAAM – Mackenzie)



5 de dezembro de 2013 ADM0

O Acordo de Adesão do Brasil à ESO deu mais um passo rumo à aprovacão final. Em 20 de novembro de 2013, foi designado o Relator da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), Dep. Eduardo Sciarra (PSD-PR). Apenas duas semanas depois, 5 de dezembro, o Relator apresentou parecer favorável pela constitucionalidade, juricidade e técnica legistativa do acordo, o qual pode ser ido na íntegra no link:

https://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1207470&filename=Tramitacao-PDC+1287/2013

Agora só falta a comissão Comissão de Finanças e Tributação (CFT), cujo relator já foi designado, Dep. Afonso Florence (PT-BA) em 26 de setembro.

Para acompanhamento do processo na Câmara utilize o link:

https://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=591830&ord=1

Adriana Válio
(Presidente – SAB)


EdwinHubble.gif

2 de dezembro de 2013 ADM0

Há muito que a Astronomia deixou de ser “apenas” um campo da ciência, de pesquisa básica. Sua multidisciplinaridade a tornou um importante vetor de ensino e divulgação científica. Isso sem mencionar os avanços tecnológicos constantes, propiciados pelo desenvolvimento de novos instrumentos. Astrônomos empurram os limites da tecnologia, têm a responsabilidade de contextualizar a existência humana no universo, despertando a curiosidade do grande público e, com isso, são responsáveis também pelo engajamento dos jovens em ciências. O imaginário despertado pelas imagens astronômicas e pelo estudo do espaço é facilmente absorvido pela curiosidade infantil, fato este atestado pelo enorme sucesso das Olimpíadas de Astronomia.

Basta tomar o exemplo recente do cometa ISON que mobilizou entusiastas do mundo inteiro em uma campanha que durou quase um ano, intensificando-se nas últimas semanas. Nem a confirmação do bóson de Higgs foi capaz de gerar tanta atenção. O grande interesse do público e a enorme cobertura da mídia trouxeram um volume de informações dos mais diferentes campos da física, biologia, química e claro, da astronomia. Contextualizado e bem trabalhado, eventos como esse representam uma porta de acesso lúdica e didática ao método científico. O papel do astrônomo hoje está intimamente ligado ao aprimoramento do ensino e da popularização da ciência.

O dia 02 de dezembro ficou conhecido como o dia do astrônomo, que começou a ser celebrado informalmente na década de 1980. A data foi instituída pela assembléia legislativa do estado do Rio de Janeiro em 2006 e no âmbito federal, tramita um projeto de lei desde 2009 visando instituir a data nacionalmente. Ela coincide com a data de nascimento do imperador D. Pedro II, um grande entusiasta das artes e ciências, em especial da astronomia. No âmbito internacional, adota-se o dia 08 de abril como o dia mundial da Astronomia.

Que todos nós tenhamos céus limpos e escuros em nossas trajetórias! Feliz dia do astrônomo!

Cássio Leandro Barbosa
(UNIVAP)