SOCIEDADE ASTRONÔMICA BRASILEIRA

APRESENTAÇÃO DAS FASES DA LUA NOS LIVROS DIDÁTICOS DE CIÊNCIAS E FÍSICA: UMA AMOSTRA DOS ÚLTIMOS TRINTA ANOS (CP10)

Autores: 

Leonardo Lago e Cristiano Mattos (IF-USP)

Palavras-chave: 

Astronomia, Fases da Lua, Livros didáticos

O levantamento das concepções prévias (ou alternativas) de alunos e professores da educação básica, com relação aos fenômenos e conteúdos de astronomia, é extenso. Em particular, existem trabalhos em que o foco de pesquisa é sobre as concepções previas dos modelos explicativos das fases da lua. De maneira geral, os trabalhos sugerem que a maior parte das explicações dos sujeitos analisados recai na categoria de respostas que associa as fases da lua com a sombra da Terra na superfície lunar.  Como outros trabalhos da literatura apontam que grande parte dos professores utiliza o livro didático como fonte do conhecimento de astronomia, optou-se por analisar mais de quarenta coleções de Ciências e Física dos últimos trinta anos para investigar como o conteúdo das fases da Lua é apresentado. Neste trabalho apresentamos os resultados preliminares para uma amostra de 27 coleções, sendo que optamos por comprar três obras por década (1980-90, 1990-2000 e 2000-10) e por segmentação da educação básica, ensino fundamental (ciclos I e II) e ensino médio. Por essa amostra procuramos abranger também as coleções didáticas antes da instituição da avaliação, em 1996, promovida pelo governo através do Programa Nacional do Livro Didático. Nossos resultados foram obtidos pela categorização das formas como o conteúdo fases da lua é apresentado e das respectivas ilustrações utilizadas. As categorias que elaboramos vão desde a mais simplificada, em que o livro aponta somente a existência Lua como um satélite da Terra até categorias mais elaborada, que parte do modelo heliocêntrico e explica o fenômeno pela diferença de iluminação da Lua durante sua revolução ao redor da Terra. Notamos que não existe ênfase em demonstrações ou simulações ou sobre a questão do papel do observador, que contempla o fenômeno, sobre a Terra. Observamos também que as explicações sobre os eclipses utilizam esquemas e fotografias similares aos das fases da Lua e que as ilustrações que mostram a inclinação do plano da órbita lunar com relação à eclíptica não mostram perspectivas adequadas. Acreditamos que grande parte da confusão entre fases da Lua e eclipse são frutos do ensino formal, normalmente veiculados pelos livros didáticos, comumente utilizados como oráculos pelos professores de ciências. Assim, seria necessário um maior cuidado na apresentação desses conteúdos, tanto nos livros didáticos, quanto no discurso do professor em sala de aula, com a proposição de simulações e explicações, no sentido de permitir uma maior discriminação conceitual entre os dois fenômenos.

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