SOCIEDADE ASTRONÔMICA BRASILEIRA

A CURIOSIDADE INGÊNUA E O PAPEL DOS GRUPOS AMADORES NO ENSINO E DIFUSÃO DA ASTRONOMIA (CO24)

Autores: 

Milton Schivani (Universidade de São Paulo/ Faculdade de Educação/EDM), João Zanetic (Universidade de São Paulo/Instituto de Física/FEP)

Palavras-chave: 

astronomia (ensino e difusão); curiosidade ingênua; astrônomos amadores (clubes e associações); Paulo Freire

O presente trabalho, fragmento de uma pesquisa de mestrado concluída no ano de 2010, discute o papel dos clubes e associações de astrônomos amadores frente a difusão e o ensino da astronomia, bem como levanta alguns questionamentos sobre as implicações educacionais referentes a curiosidade ingênua identificada nesse contexto.

 

É reconhecido que a astronomia possui rico potencial mobilizador, envolvendo as pessoas em diferentes atividades observacionais, de contemplação, redescobertas e questionamentos. Entretanto, especialmente na contemporânea cultura humana, percebe-se que o espaço acima de nossas cabeças tem sido muitas vezes ignorado, principalmente nos grandes centros urbanos. Assim, dentre outras questões, tratamos do rompimento dessa postura de desconhecimento e indiferença. Identificamos esse rompimento como sendo um dos papéis fundamentais dos grupos e clubes que desenvolvem trabalhos de difusão da astronomia nos mais variados contextos.

 

Nosso estudo concentra-se nas ações promovidas por três grupos, dois da capital de São Paulo e um do nordeste, acompanhados de forma esporádica e não simultânea, ou seja, um grupo por vez, entre o fim do ano de 2007 e meados de 2010.

 

As ações desses espaços, classificados aqui num primeiro momento como ambientes de educação não formal, desenvolvem-se essencialmente por meio de telescópios em praças, centros, parques e avenidas. Constata-se que isso propicia que pessoas “comuns” possam (re)descobrir o universo ao seu redor (especialmente jovens e adolescentes residentes nas capitais metropolitanas), “ler” o céu de uma maneira diferente de quando elas só viam pontos luminosos sem significados ou “expressões".

 

As discussões e análises dos dados obtidos foram desenvolvidas tomando como principal base uma perspectiva Freiriana de educação. Vários dos registros coletados denunciam o tamanho da curiosidade do povo ao se defrontar com os fenômenos celestes e os elementos que o constituem. Essa curiosidade, num primeiro momento, caracteriza-se por ser um tanto simplória e sem profundidade. Entretanto, dentro da perspectiva adotada, não se considera essa curiosidade inicial apenas como ingênua, mas também como uma inquietação indagadora, pedra fundamental no processo educacional, seja ele formal ou não, e, uma vez o indivíduo nessa inquietação, a curiosidade ingênua vai se tornando cada vez mais crítica, epistemológica. Paulo Freire destaca que a curiosidade ingênua é de extrema importância no processo de aprendizagem, discutindo assim seu potencial de transição para uma curiosidade epistemológica. Com a curiosidade do público estimulada, os espaços não formais de educação potencializam para que as pessoas busquem mais e novas informações sobre aquele assunto que a motivou ou instigou.

 

Em suma, objetivamos com esse trabalho chamar a atenção do professor/educador e de toda equipe pedagógica que deseja dialogar com os espaços de educação não formal em astronomia. Apresentamos assim indícios de possíveis vias de interações e questionamentos que visam enriquecer e problematizar o ensino e difusão desse saber, favorecendo para que pessoas (re)descubram o mundo ao seu redor e agucem cada vez mais suas curiosidades.

Arquivo do Trabalho: 

application/pdf iconSNEA2011_TCO24.pdf

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